Escatologia I - Introdução

Estudar a escatologia biblica muitas vezes torna-se ilógico. Por um lado, não temos todas as respostas, e por outro, não podemos estudar este tema sem uma metodologia que nos obrigue a sermos mais objetivos.

Escatologia  I - Introdução

Estudar a escatologia biblica muitas vezes torna-se ilógico. Por um lado, não temos todas as respostas, e por outro, não podemos estudar este tema sem uma metodologia que nos obrigue a sermos mais objetivos. O fato é que, nosso entendimento vai crescendo à medida que se aproxima de nós a vinda do Senhor. Não significa que não devemos nos surpreender com o fato de existirem opiniões diferentes. A verdade é que, a maioria dos estudiosos, não sustentão os mesmos pontos de vista ao longo do tempo. Seria um erro enorme, acharmos que a nossa opinião exposta aqui seja definitiva. O que vamos estudar aqui, demosntra que a intervenção de Deus nos assuntos da humanidade é um fato inegável.

ANTES DE TUDO, ISRAEL

Qualquer estudo que trate da escatologia bíblica não pode ignorar o povo de Israel ou colocá-lo em segundo plano, tendo em vista o que Jesus afirmou: “Olhai para a figueira, e para todas as árvores” (Lucas 21:29). Israel é como o relógio de Deus, a indicar o passar do tempo da presente dispensação da graça de Deus.
Não se pode negar a influência de Israel no destino dos povos. A promessa feita por Deus a Abrão em Gênesis 12.3: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” tem sido rigorosa e admiravelmente cumprida através dos séculos. As nações que apóiam e protegem os israelitas são prósperas e abençoadas, ao passo que as que os perseguem desaparecem, estagnam, ou são humilhadas, e, invariavelmente, perdem a bênção divina.
"Certamente não há fundamento para dar direito aos judeus a uma terra hoje só porque eles a ocuparam há mais 2.500 anos. Seria mais ou menos equivalente a tentar arrumar a atual posse de propriedades na Europa estabelecendo quem eram os seus habitantes “originais”, procurando encontrar seus descendentes, e dando cada terreno de volta a eles apesar dos direitos dos ocupantes atuais. Por outro lado, se Deus existe e realmente deu aos judeus a terra de Israel da maneira em que suas fronteiras estão delimitadas na Bíblia, então devemos honrar a Sua decisão". (Hunt, Dave. Jerusalém - Um Cálice de Tontear: As Profecias Sobre a Cidade Santa . Editora Chamada).

Quando Deus prometeu a terra de Canaã a Abraão, essa não foi uma decisão puramente arbitrária, mas determinada pela Sua justiça. Os habitantes dessa terra estavam tão atolados no mal (idolatria, sacrifícios de crianças, homossexualidade, espiritismo e necromancia) que chegaria o dia em que a paciência e misericórdia de Deus se esgotariam e Ele seria impelido a remover esse povo da terra. Nessa época Ele usaria Israel como instrumento de Seu julgamento. Só então, a terra seria dada aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Na época em que lhe prometeu a terra, Deus disse a Abraão: “Não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus” (Gênesis 15.16). Até que chegasse o dia quando essas nações deveriam ser destruídas, os descendentes de Abraão seriam escravizados numa terra estranha durante 400 anos. Depois disso, Deus os libertaria e os traria à Terra Prometida.
No deserto, Moisés transmitiu de Deus para o povo de Israel a verdade sobre eles mesmos. Ele os estava advertindo, antes mesmo de levá-los para a terra, a não continuarem na rebelião, do contrário Ele os lançaria fora como havia feito com os habitantes anteriores. Porém, eles não seriam substituídos por mais ninguém. A terra seria abandonada e se tornaria um deserto antes que Ele os trouxesse de volta nos últimos dias antes do retorno do Messias para governar o mundo de Jerusalem. A terra que havia sido tão pecaminosa deveria tornar-se a Terra Santa por causa da santidade dos israelitas que vieram a possuí-la e a santidade do Deus que a havia dado a eles. “Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” era Seu desafio sempre repetido a Israel (Levítico 11.44-45; 19.2; 20.7).
Infelizmente, Israel deixou de obedecer a Deus e de viver de acordo com o padrão que Ele lhe propusera. Ao invés de exemplificar santidade, Israel se tornou ainda mais pecaminoso que o povo que Deus lançara fora a fim de lhe dar a terra. Parece inacreditável, mas é uma triste verdade, que apesar dos avisos de julgamento próximo feitos pelos profetas que Deus enviou, Israel aumentou seu pecado até que literalmente ultrapassou a infâmia das nações pagãs à sua volta!

Manassés fez errar a Judá e os moradores de Jerusalém, de maneira que fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel” (2 Crônicas 33.9).

Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém... Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não fez Sodoma, tua irmã, ela e suas filhas, como tu fizeste e também tuas filhas... Também Samaria não cometeu metade de teus pecados; pois tu multiplicaste as tuas abominações mais do que elas... Mas eu me lembrarei da minha aliança, feita contigo... e saberás que eu sou o Senhor” (Ezequiel 16).

É bom sempre lembrar que Deus foi extremamente paciente com Seu povo. Ele lhes deu muitos avisos, mas eles não deram ouvidos aos Seus profetas. Finalmente, por causa da grande maldade que continuavam a cometer, Deus permitiu que exércitos invasores destruíssem Jerusalém e o Templo e levassem seus habitantes para o cativeiro:

Tornou-me o Senhor: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo... deveras adverti a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, até ao dia de hoje, testemunhando desde cedo, cada dia, dizendo: Dai ouvidos à minha voz. Mas não atenderam nem inclinaram os seus ouvidos, antes andaram cada um segundo a dureza do seu coração maligno; pelo que fiz cair sobre eles todas as ameaças desta aliança... Tornaram às maldades de seus primeiros pais, que recusaram ouvir as minhas palavras; andaram eles após outros deuses para os servir... Portanto assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar...” (Jeremias 11.6-8,10-11).

A REJEIÇÃO DO MESSIAS

Os judeus foram libertados da Babilônia no ano de 538 a.C., após a conquista persa. Posteriormente, a civilização judaica retornou à Canaã, região que passou a ser dominada, no ano de 332 a.C., por Alexandre, rei da Macedônia. Em 63 a.C., os macedônicos e Canaã foram conquistados pelos romanos; e os judeus organizaram revoltas duramente repreendidas por Roma. Sendo expulsos da Palestina, saíram em diáspora (dispersão) pelo mundo. Vale lembrar que a diáspora teve seu cume após a destríção do templo no ano 70 d.C. 
Ocupando diferentes regiões pelo mundo, os judeus conviveram em pequenas comunidades. Apesar de não possuírem um Estado (território), eram considerados uma nação (povo) e procuravam conservar sua identidade cultural por meio da língua, religião, costumes e hábitos. Foi exatamente no meio desta confusão política e social que veio Jesus. Obviamente os judeus o rejeitaram como o Messias e isso trouxe consequências inimagináveis que seriam levadas ao longo dos anos, séculos, até que se cumpra o que Deus destinou a seu povo.

João diz que o Verbo (Palavra) “veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (João 1:11), isto é, Jesus não foi aceito como o Messias por Seus compatriotas judeus. “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne, nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:12-13).
O Salmo 118:22 diz que a pedra (ou seja, o Messias) rejeitada pelos construtores se tornará a pedra angular. À luz disto, devemos considerar cuidadosamente Isaías 28:16: “Por isso, diz o Senhor: Eis que ponho em Sião uma pedra, uma pedra já experimentada, uma preciosa pedra angular para alicerce seguro; aquele que confia, jamais será abalado’”.
A conversão dos gentios ao Evangelho é algo predito pelos profetas Isaías (11:1-10; 19:16-25; 56:1-7), Sofonias (3:9), entre outros. No Salmo 46:10, Deus diz aos judeus: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra”. O Messias ser aceito pelos gentios mostra que Deus não é Deus apenas dos judeus, pois Ele ama a todos e deseja a salvação de todos (cf. 2 Coríntios 5:14-15; 1 Timóteo 2:4-6; Tito 2:11; Hebreus 2:9; 1 João 2:2; 2 Pedro 3:9, etc.).

A verdade é que, o simples fato de Jesus não ser aceito como Messias pelos judeus e ser aceito pelos gentios é uma das maiores evidências de que Ele é o Messias dos judeus – e do mundo. 

Jesus e os fariseus


OS JUDEUS APÓS A DISPORA

Na Europa medieval, os judeus ocuparam principalmente a região da Península Ibérica (Portugal e Espanha). Antes do ano 1000, tinham liberdade religiosa e influenciaram o desenvolvimento cultural e científico. No ano de 1095, começaram a ser perseguidos pelos cristãos, porque a Igreja Católica julgou os judeus como responsáveis pela morte de Jesus Cristo. A partir desse fato, a civilização judaica sofreu constantes ataques nas cidades europeias; enclausurando-se nos guetos, milhares de judeus foram vítimas da Santa Inquisição (Tribunal da Igreja Católica que julgava os hereges).
A partir da Idade Moderna, os judeus foram expulsos da Península Ibérica. A grande maioria das comunidades judaicas teve que se instalar em regiões protestantes (norte da Europa). Após o advento dos Direitos Universais do Homem, durante a Revolução Francesa, os judeus passaram a gozar de certa liberdade religiosa e desenvolveram várias atividades no continente europeu, em diversos setores, tais como: bancos e indústrias; além de atividades intelectuais, como: ciências, artes e filosofia (principalmente).
Com grande ascensão econômica e intelectual, no século XIX, vários países começaram a acusar a comunidade judaica de querer dominá-los. Nesse contexto, começaram a surgir ideias de aversão e preconceito contra os judeus (o antissemitismo). Ainda no século XIX, surgiu entre a civilização judaica o desejo de retornar ao seu território de origem, a Palestina, e criar um Estado Judaico nesse território. Era o ‘Sionismo’, milhares de judeus retornaram, fugindo do antissemitismo europeu.

Judeus na inquisição Espanhola

No século XX, a comunidade judaica foi vítima de uma das maiores atrocidades da história, o chamado holocausto. Instituído pelo líder nazista Adolf Hitler, durante a II Guerra Mundial (1939-1945), seis milhões de judeus foram submetidos aos campos de concentração, sendo torturados e mortos.
Após o término da guerra, o movimento sionista reivindicou à Organização das Nações Unidas (ONU) a criação do Estado de Israel na Palestina. No ano de 1948, foi criado o Estado Judeu – contrariando os palestinos e árabes que viviam na região, milhares de judeus retornaram. A partir da criação do Estado de Israel, vários conflitos étnicos e guerras passaram a ser constantes na região conhecida como faixa de Gaza.

ISRAEL ATUALMENTE: TUDO IGUAL

Passou-se os anos, os séculos, porém, nada mudou. Em  1994, o governo de Israel tomou a iniciativa em legitimizar e promover a depravação no país. A Suprema Corte israelense aprovou uma decisão concedendo status legal para casais homossexuais ou lésbicas. Imagine o mais alto tribunal na Terra Santa aprovando o pecado pelo qual Deus destruiu Sodoma e Gomorra!
Essa é apenas uma das várias maneiras em que o Israel moderno continua no caminho descendente dos seus ancestrais, violando a lei divina. O julgamento de Deus virá, ou Ele terá que se desculpar para com aqueles que julgou no passado pelos mesmos pecados. O fato é que esse Israel moderno sentirá o gosto da ira de Deus tal como o Israel antigo – e ainda pior – porque os próprios profetas hebreus declararam isso. Jeremias falou desse julgamento vindouro como o “tempo de angústia para Jacó” (Jeremias 30.7).

Não iremos nos deter detalhadamente na história de Israel. Apenas "pincelamos" acima, uma breve e bem resumida linha do tempo deste povo que tanto fez, e fará diferença na historia do mundo. Israel está em toda a escatologia bíblica e é impossivel falar deste assunto em detrimento do outro.

continua...